quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Coisas que me irritam
Porque é que sempre que abro uma caixa de um medicamento qualquer, abro sempre do lado da bula?
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Comunicação
Como profissional com doze anos de rádio, aprendi que a comunicação é uma arte que nem todos dominam e que a falta dela gera e continua a gerar conflitos e desentendimentos.
É no médio-oriente, nas Coreias divididas, nas repúblicas ex-URSS ou no quintal de uma qualquer casa portuguesa.
Basta duas pessoas não falarem a mesma língua que a barreira começa a erguer-se... e o mesmo idioma pode ter diversas "línguas"... o que para uns é normal, para outros é um atroz desaforo.
A linguagem do amor, porém, é universal. Ultrapassa barreiras, desigualdades, injustiças. Cria laços, pontes, fraternidade, solidariedade.
A do ódio, infelizmente, também é universal e destrói tudo o que o amor pode construir.
Vivemos numa cultura de ódio, desprezo, arrogância e prepotência. Cabe a cada um cultivar-se se quiser ser diferente, se quiser optar. Ou arrisca-se a ser mais um no rebanho.
Não tenho nada contra quem quer ser ovelha, nem me oponho a quem o quer ser, não permito é que me odeiem por não querer "pastar" ao mesmo ritmo. Sou diferente, gosto de ser diferente, gosto que respeitem as minhas diferenças.
Deixem-me viver no amor, na alegria, na partilha... para mim não faz sentido viver doutra forma. Não dou para intriga nem coscuvilhice. Gosto de rectidão e de justiça.
Se nunca menti? Já! Claro! Ninguém é santo. Mas NUNCA para prejudicar ninguém deliberadamente.
Por já ter mentido, percebi que só traz angústia, consciência pesada e por isso decidi viver na verdade, custe o que custar.
Voltando ao tópico, comuniquem, digam bom dia a quem passa, agradeçam a quem vos facilita a vida, peçam licença para passar, digam sempre o que vos vai na alma e não o que acham que os outros querem ouvir... vai afastar quem vier por mal e "fidelizar" quem vier por bem.
Experiência própria.
P.S.: Dedico este post à Catarina, ao Pedro, à Ana, ao André, à Ângela e claro, à minha mais-que-tudo, companheira de blog e de vida, à qual confiei todos os meus segredos, virtudes e defeitos sem medo, sabendo que ela fez exactamente o mesmo. Amo-te Raquel.
Há estrelas no céu

Depois de ler este post, veio-me à memória passagens do meu passado próximo e dos meus últimos anos de casada.
Memórias dos dias em que contemplar o céu, à noite da minha varanda, era o momento alto do dia. Era naquela altura que eu podia parar, sossegar os pensamentos e sentir paz.
Sentir a paz que não tinha durante o dia com a azáfama das tarefas profissionais e maternais, a paz e o aconchego que não sentia junto da pessoa que tinha escolhido para partilhar a vida.
Eram os momentos na minha varanda, a olhar para as estrelas, umas vezes só outras com os meus filhotes ao colo (um de cada vez ou os dois ao mesmo tempo), que renovava a minha esperança na vida.
Eles próprios gostavam de ali estar comigo, aninhados no meu colo onde acabavam por adormecer o sono dos anjos.
Já não vou para a varanda, e hoje o aconchego que as estrelas me davam encontro dentro de casa. Os pequenos continuam a adormecer tantas vezes aninhados em mim, ou no Nuno, e a dormir o sono dos anjos, embalados pelo bater do meu coração agora confiante e com esperança convicta na vida.
Coração na boca.

Tenho o coração muito perto da boca.
Para uns um grande defeito para outros uma grande virtude.
Não podemos agradar todos, mas é a diversidade que faz a vida ser tão rica. Por isto suscito, na maior parte dos casos, sentimentos extremos em relação à minha pessoa: há os que me adoram e os que não me suportam.
Não podemos, no entanto confundir o manifestar o que se sente com a forma como se o faz. Não é por dizer o que sinto que tenho o direito de faltar ao respeito de quem quer que seja, ou ser mal educada.
Se houver nobreza nos sentimentos não se corre esse risco.
Por outro lado há muito quem confunda civismo e diplomacia com dissimulação e cinismo.
O segredo está em dizer o que se acha, acredita e sente de forma cívica e diplomática, sem ser uma pessoa dissimulada ou cínica.
Tenho duas amigas que são eximias nesta arte, e os anos têm-me ajudado a desenvolver essa qualidade. Elas são o terror de quem é injusto, mentiroso ou dissimulado. Bem, só não são o terror dos tristes dos estúpidos que não conseguem ter capacidade cognitiva para digerir a argumentação delas. Não podemos esquecer que gente (daqueles que não chegam a pessoas) são como os cães: só percebem a entoação e não o texto que se diz. Curiosamente, estes confundem educação com submissão e quando uma pessoa faz valer a razão e os direitos, aqui d'El Rei que eu pensava que eu mandava.
E porque já fugi do tema do post, só me lembro de acrescentar: a falta de inteligência associada à ausência de valores, temperada com alguma presunção...hummm é um pitéu para o apodrecimento das relações interpessoais.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Sociedade e vida em comunidade

Ninguém é igual a ninguém, a diferença é que só alguns têm coragem de assumi-lo. Quem o faz é sucessivamente sujeito a criticas e a escárnio por não cumprir "as regras da sociedade".
Ora isto leva-nos a outra questão, o que são as regras de uma sociedade e o que é viver em comunidade.
Não é preciso ser antropólogo para saber que estas são verdades tão discutíveis e variáveis que de sociedade para sociedade podem variar tanto como ser o oposto de uma para outra. Mas não querendo entrar por esse campo, e partindo do principio das regras da nossa sociedade ocidental, europeia do século XXI, continua a questão de o que são regras de vida em sociedade.
Estas regras de conduta devem regular o convívio e a vivência entre pessoas que têm de viver em conjunto, numa comunidade, e deve incidir apenas sobre o que afecta o relacionamento interpessoal e o limite é a individualidade de cada um.
O mais difícil é encontrar esta fronteira, pois em geral a comunidade confunde o regular a vida em comunidade com o imiscuir-se na vida dos outros.
Temos de ter regras, para viver em conjunto, o civismo é imprescindível. No entanto, no que é que a minha vida pessoal e amorosa interfere com a vida cívica
Porque há quem entenda que as alterações na vida pessoal de cada um deve ter um período de adaptação dos demais, e só depois desse luto feito por quem em nada é afectado por essa alteração se pode então entender esse acto como autorizado, ou algo que não é desrespeitador das regras de sociedade?
Com as devidas reservas, mas não foram porventura quem se arriscou a assumir algo diferente, do que era aceite pela dita comunidade, que gerou os maiores impulsos na evolução das sociedades?
Preocupação e privacidade
É bom que os nossos se preocupem connosco... mas também é bom que confiem nas nossas decisões.
Sempre ouvi dizer:"pas de nouvelles, bonnes nouvelles" ou seja, se não há notícias é porque há boas notícias.
Já somos grandinhos e sabemos tomar conta de nós. Ah, mas gostamos muito de vocês, mesmo assim. Ok?
Sempre ouvi dizer:"pas de nouvelles, bonnes nouvelles" ou seja, se não há notícias é porque há boas notícias.
Já somos grandinhos e sabemos tomar conta de nós. Ah, mas gostamos muito de vocês, mesmo assim. Ok?
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Pombo civilizado
Lembram-se deste?
Hoje cruzamo-nos novamente com o dito e adivinhem onde.
Exactamente! A atravessar a rua na passadeira.
Hoje cruzamo-nos novamente com o dito e adivinhem onde.
Exactamente! A atravessar a rua na passadeira.
Laura a leiteira
Já aqui falei de pessoas marcantes na minha infância, hoje de manhã cedinho cedinho, ao despedir-me do Nuno antes de irmos trabalhar lembrei-me de mais uma personagem interessante.
Laura era a leiteira que, todos os dias, levava o leite fresco embalado naquelas embalagens moles que, sem o devido cuidado, entornavam metade do leite assim que se desse um golpe com a tesoura num dos seus cantos.
Tempos em que não havia abertura fácil e o leite tinha de ser fervido, aventura esta que para mães com filhos mais irrequietos, que a distraíssem de tal tarefa, fazia com que o simples arranjar uma caneca de leite acabasse com uma limpeza completa ao fogão.
Voltando à Laura, esta era uma mulher com ar rude, até um pouco masculino cujo rosto tenho uma vaga ideia. Eu era pequena, e lembro-me de ficar no topo da escada junto à minha porta, que ficava no primeiro andar, e de a ver no hall de entrada da escada do prédio. A minha mãe descia para ir buscar o leite e nunca me lembro de a ver mais perto que isto.
Lembro-me de o meu pai trocar alguns ditos brincalhões com ela, coisa ainda comum nele hoje em dia com quem se dá a essas coisas.
Foi no meio deste escárnio diário, que nunca teve o objectivo de ofender mas apenas brincar, que o meu pai me ensinou o dito que anos mais tarde um grupo humorista português veio a dar fama. Era ver-me pequena, assim que a Laura tocava a campainha, a correr para a porta e ficar pendurada no gradeamento da escada à espreita para baixo e gritar:
"Vai trabalhar!"
Laura era a leiteira que, todos os dias, levava o leite fresco embalado naquelas embalagens moles que, sem o devido cuidado, entornavam metade do leite assim que se desse um golpe com a tesoura num dos seus cantos.
Tempos em que não havia abertura fácil e o leite tinha de ser fervido, aventura esta que para mães com filhos mais irrequietos, que a distraíssem de tal tarefa, fazia com que o simples arranjar uma caneca de leite acabasse com uma limpeza completa ao fogão.
Voltando à Laura, esta era uma mulher com ar rude, até um pouco masculino cujo rosto tenho uma vaga ideia. Eu era pequena, e lembro-me de ficar no topo da escada junto à minha porta, que ficava no primeiro andar, e de a ver no hall de entrada da escada do prédio. A minha mãe descia para ir buscar o leite e nunca me lembro de a ver mais perto que isto.
Lembro-me de o meu pai trocar alguns ditos brincalhões com ela, coisa ainda comum nele hoje em dia com quem se dá a essas coisas.
Foi no meio deste escárnio diário, que nunca teve o objectivo de ofender mas apenas brincar, que o meu pai me ensinou o dito que anos mais tarde um grupo humorista português veio a dar fama. Era ver-me pequena, assim que a Laura tocava a campainha, a correr para a porta e ficar pendurada no gradeamento da escada à espreita para baixo e gritar:
"Vai trabalhar!"
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Só para reforçar o último post...
Safa! Que a gaja é complicada.
Bolas! Complicadinha aqui a menina. E quem é que se lixa com isso, quem é???
EU!
EU!
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Não há uma sem duas
Eu e o meu companheiro de vida, temos muita coisa em comum. Mesmo no percurso de vida, os períodos de viragem para um aconteceram ao mesmo tempo que aconteceram ao outro, mesmo que de naturezas diferentes. Resumindo, se fizéssemos um gráfico dos picos e baixos da nossa vida, quase que coincidiriam.
Ora bem, isso não se alterou hoje em dia. Senão vejamos, até nos conhecemos ao mesmo tempo e encontrámos o amor da nossa vida em simultâneo ;)
Agora a sério: ainda hoje quando o ex de um chateia o do outro chateia; quando temos preocupações com os filhos, acontece dos dois lados....e é assim em tantas outras coisas.
A novidade é que agora também os pais entraram na brincadeira. Ontem foram os meus, hoje os dele...
Não há volta a dar, somos um!
Ora bem, isso não se alterou hoje em dia. Senão vejamos, até nos conhecemos ao mesmo tempo e encontrámos o amor da nossa vida em simultâneo ;)
Agora a sério: ainda hoje quando o ex de um chateia o do outro chateia; quando temos preocupações com os filhos, acontece dos dois lados....e é assim em tantas outras coisas.
A novidade é que agora também os pais entraram na brincadeira. Ontem foram os meus, hoje os dele...
Não há volta a dar, somos um!
Pais e filhos (e vizinhos)

Sou mãe, e como mãe sei que por vezes é difícil olhar para os filhos como indivíduos com vida, personalidade e vontade própria. Não se interioriza imediatamente a autonomia que vão ganhando e o aumento de necessidade de privacidade proporcionalmente directo ao crescimento/envelhecimento.
Aos poucos, são eles próprios que me chamam à realidade e a ver que já não são bebés e que há coisas que começam a querer fazer sozinhos, e mesmo a ser importante que o façam por uma questão de traquejo para a vida que é preciso adquirir e aprender.
Sei que vou ter recaídas e que, ao longo dos anos, vou ter situações que vou pisar o risco do espaço deles. Espero que sejam poucas as vezes, e espero ter discernimento para me aperceber disso e entender quando eles próprios me chamarem a atenção.
Eles sabem que os amo incondicionalmente, e que estarei lá sempre para eles para quando precisarem. Estarei sempre sem contrapartidas, apenas porque sim, porque são meus filhos.
Tenho 33 anos, e neste momento da minha vida tem-me sido muito importante o apoio logístico dos meus pais, por todas as contingências inerentes ao meu divórcio. Mas não deixo de ter mais de 30 anos, de ser adulta e de ter necessidade de privacidade. Não o farão por mal, mas se com vizinhos que não são família há necessidade de marcar distancias, quando estes são os pais há que se sentir da mesma forma que temos vidas separadas.
Isto agrava-se quando o chamar a sua atenção para estas questões não é visto como uma marcação de privacidade de uma pessoa adulta mas sim um acto de rebeldia de uma filha adolescente.
Não os amo menos por isso, são meus pais e fazem parte de mim. Posso até ser mal interpretada, mas tenho necessidade que os nossos convívios sejam combinados como com os restantes familiares: "olha, vamos jantar hoje juntos?" ou "vamos dar um passeio" ou "venham cá a casa hoje lanchar...", mas "estar" constante no dia-a-dia.... Há que ter o espírito de vizinhança, com dois núcleos familiares distintos, e não a sensação de que moramos todos juntos que, convenhamos, aos 30 anos é absolutamente incomportável.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Há 25 anos os meus pais casaram-se

Ontem os meus pais fizeram anos de casados. Uma das três datas que celebram.
Há 25 anos casavam pela Igreja e a minha mãe realizava o sonho que sempre teve.
Eu tinha 8 anos. Tenho poucas memórias concretas desse verão, apenas de ser um período diferente. Sempre me senti em primeiro plano para a minha mãe, mesmo quando passava temporadas de férias em casa da minha tia, mas neste verão foi diferente. Houve alturas em que senti que havia o que preocupasse mais a minha mãe e lhe ocupasse o pensamento. Não é que fosse assim na realidade, em tempo algum a minha mãe me negligenciou ou me passou para segundo plano, mas para mim que estava habituada a um "estar" sempre igual, naquele mês de Agosto houve ali alterações às rotinas que eu não estava habituada.
Sem saber muito bem o que se estava a passar, fui assistindo a todo o desenrolar de acontecimentos até ao culminar de todos os preparativos, o dia do casamento. Estava nervosa, muito nervosa. Afinal eu era a menina das alianças, quem abria o cortejo de entrada da noiva na igreja. Eu ia à frente com um vestido novo que a minha mãe me comprara e um cesto com as alianças dos meus pais, que iam finalmente ser benzidas.
A minha mãe era a noiva, e isso era um sentimento engraçado que nem eu entendia muito bem. Pela primeira vez, foi neste dia que eu solicitei a sua ajuda e ela estando presente não me pôde ajudar e teve de delegar essa tarefa numa prima minha mais velha. Fiquei feliz por assistir ao casamento dos meus pais, coisa que não aconteceu a nenhuma amiga minha. No entanto, foi uma altura de viragem, acho que pela primeira vez tive a consciência de que a minha mãe era mais que isso, não era só a minha mãe mas também uma mulher, uma pessoa com identidade própria com objectivos próprios que não só eu. E com isto, mesmo estranhando, foi a minha primeira "emancipação" como individuo, e um crescimento na minha admiração por ela.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Passeios e civismo.
Na terra onde trabalho, típica cidade de província, o civismo e as regras de transitar e ocupar a via pública, quer a pé ou de outra forma qualquer, são quase inexistentes.
Senão vejamos, hoje o Nuno ia sendo atropelado numa passadeira. Até aqui, estaria já mal esse risco numa passadeira, mas não era (infelizmente) nada de novo. A novidade está em que o "quase atropelamento" foi por uma bicicleta e que circulava como os peões, ou seja, a atravessar a estrada pela passadeira.
Os que conhecem a localidade referida já estarão habituados a tal comportamento, dada a frequência com que avistamos por aqui o belo e feliz ciclista pelo passeio fora e a atravessar a estrada nas passadeiras.
Para além de acharem que, quando se lembram de circular na rodovia, não têm de cumprir sentidos proibidos, agora andam nos passeios como meros peões.
Também é certo que nesta cidade os passeios foram feitos para os visitantes, porque os naturais/habitantes preferem andar junto ao lancil mas do lado da estrada. Todos sabemos que a calçada é perigosa e podemos escorregar. Logo, como a utilização dos passeios e passadeiras é reduzida (quase usados exclusivamente pelos visitantes e alguns habitantes mais cívicos), nada melhor que andar por lá de bicicleta ou estacionar os carros.
Quer-me parecer que se não fosse para as bicicletas e para estacionamento de veículos automóveis, a autarquia poderia poupar uns trocos deixando de construir infraestruturas como passeios.
Ah, bolas, estava a esquecer-me de outra utilidade dos passeios, mas em ruas estreitas: zona de estadia para estar a conversar e obrigar os transeuntes, que até andam nos passeios (a tal minoria), a irem também para a estrada para conseguirem continuar a transitar. (como é que me ia falhando esta?!?!?!?!?)
Senão vejamos, hoje o Nuno ia sendo atropelado numa passadeira. Até aqui, estaria já mal esse risco numa passadeira, mas não era (infelizmente) nada de novo. A novidade está em que o "quase atropelamento" foi por uma bicicleta e que circulava como os peões, ou seja, a atravessar a estrada pela passadeira.
Os que conhecem a localidade referida já estarão habituados a tal comportamento, dada a frequência com que avistamos por aqui o belo e feliz ciclista pelo passeio fora e a atravessar a estrada nas passadeiras.
Para além de acharem que, quando se lembram de circular na rodovia, não têm de cumprir sentidos proibidos, agora andam nos passeios como meros peões.
Também é certo que nesta cidade os passeios foram feitos para os visitantes, porque os naturais/habitantes preferem andar junto ao lancil mas do lado da estrada. Todos sabemos que a calçada é perigosa e podemos escorregar. Logo, como a utilização dos passeios e passadeiras é reduzida (quase usados exclusivamente pelos visitantes e alguns habitantes mais cívicos), nada melhor que andar por lá de bicicleta ou estacionar os carros.
Quer-me parecer que se não fosse para as bicicletas e para estacionamento de veículos automóveis, a autarquia poderia poupar uns trocos deixando de construir infraestruturas como passeios.
Ah, bolas, estava a esquecer-me de outra utilidade dos passeios, mas em ruas estreitas: zona de estadia para estar a conversar e obrigar os transeuntes, que até andam nos passeios (a tal minoria), a irem também para a estrada para conseguirem continuar a transitar. (como é que me ia falhando esta?!?!?!?!?)
As Vidas Dos Outros - Anaquim
Eu sou tão bom a falar das vidas dos outros
Há sempre um conselho a dar p'rás vidas dos outros
Nada é eterno e se aguentarmos todo o mal tem fim
É fácil ter calma quando a alma não me dói a mim
Eu sou tão bom a tornar todo o mal inerte
Se é aos outros que lhes custa que o passado aperte
Mas quando a inquietude vem toda para o meu lado
Deita-se, desnuda e não desgruda até me ter vergado
É tão simples quando estou de fora
A ver passar as nuvens pelo ar
Aplaudir, rever-me e concluir
Que eu também já lá estive e...
Já soube ultrapassar
Só a mim é que ninguém me entende
E a minha dor não tem como acabar
Ai quão melhor era acordar um dia
E ter as vidas dos outros todas em meu lugar
As vidas dos outros nunca me soam mal
Veêm problemas no que é no fundo normal
Ai se eles soubessem como é viver assim
As vidas dos outros são tão simples para mim
Eu sou tão bom a falar das vidas dos outros
Sempre me sei comportar nas vidas dos outros
Volta, revolta, o melhor está para vir
Solta tudo agora, não demora, tornas a sorrir
Eu são tou bom a apagar qualquer mau momento
Se é aos outros que lhes bate à porta o sofrimento
Mexe, remexe, alguma coisa hás-de encontrar
A solução é procurar
Eu sou tão bom a falar
Eu sou tão bom a cantar
Eu sou tão bom a contar as vidas dos outros
Eu sou tão bom a falar
Eu sou tão bom a curar
Tudo menos o meu próprio mal
As vidas dos outros nunca me soam mal
Vêem problemas no que é no fundo normal
Ai se eles soubessem como é viver assim
As vidas dos outros são tão simples para mim
Há sempre um conselho a dar p'rás vidas dos outros
Nada é eterno e se aguentarmos todo o mal tem fim
É fácil ter calma quando a alma não me dói a mim
Eu sou tão bom a tornar todo o mal inerte
Se é aos outros que lhes custa que o passado aperte
Mas quando a inquietude vem toda para o meu lado
Deita-se, desnuda e não desgruda até me ter vergado
É tão simples quando estou de fora
A ver passar as nuvens pelo ar
Aplaudir, rever-me e concluir
Que eu também já lá estive e...
Já soube ultrapassar
Só a mim é que ninguém me entende
E a minha dor não tem como acabar
Ai quão melhor era acordar um dia
E ter as vidas dos outros todas em meu lugar
As vidas dos outros nunca me soam mal
Veêm problemas no que é no fundo normal
Ai se eles soubessem como é viver assim
As vidas dos outros são tão simples para mim
Eu sou tão bom a falar das vidas dos outros
Sempre me sei comportar nas vidas dos outros
Volta, revolta, o melhor está para vir
Solta tudo agora, não demora, tornas a sorrir
Eu são tou bom a apagar qualquer mau momento
Se é aos outros que lhes bate à porta o sofrimento
Mexe, remexe, alguma coisa hás-de encontrar
A solução é procurar
Eu sou tão bom a falar
Eu sou tão bom a cantar
Eu sou tão bom a contar as vidas dos outros
Eu sou tão bom a falar
Eu sou tão bom a curar
Tudo menos o meu próprio mal
As vidas dos outros nunca me soam mal
Vêem problemas no que é no fundo normal
Ai se eles soubessem como é viver assim
As vidas dos outros são tão simples para mim
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
quando se fecha uma porta.....
Hoje faz um ano que, depois de um dia de trabalho, cheguei a casa e, ao tentar abrir a porta, deparei-me com o facto das fechaduras de todas as portas estarem mudadas. O meu ex-marido, numa acto tresloucado tinha usurpado o direito à casa comum apenas para ele, ficando lá dentro todos os meus bens pessoais: roupa, calçado, artefactos, produtos de higiene, medicamentos (sou asmática e faço terapêutica diária), brinquedos e livros meus de criança, bens dos meus pais ...Eu tinha todo o direito de arrombar a porta e fazer o mesmo, uma vez que se tratava da minha casa.
Como tudo o que fiz desde o dia 18 de Agosto de 2000, dia em que soube que estava grávida pela primeira vez, primeiro pensei nos meus filhos e nas repercussões que teria para eles assistirem a tamanha guerra na própria casa (à data, mesmo separados ainda todos habitávamos a mesma morada).
Achei que todo o direito que eu tinha em entrar em casa não justificava tal sofrimento, e por isso optei por pedir aos meus pais para ocupar o primeiro andar da casa deles, onde eu já tinha vivido até construção da nova.
Passei a viver de favor numa casa que não é minha, tendo todos os meses a obrigação financeira de pagar uma casa onde não entro e onde vejo aprisionados os meus bens pessoais.
A vida às vezes é ingrata, mas quando se fecha uma porta abre-se sempre uma janela e normalmente muito mais soalheira. Muito ainda está por resolver, passado um ano. Continuo a ter de pagar uma casa que é usada pelo meu ex-marido inviabilizando-me financeiramente de arrendar ou adquirir outra casa, continuando a viver de favor. Felizmente a casa onde habito é dos meus pais, e tenho recebido todo o apoio da parte destes. Além disso, o mais importante para mim está resolvido: a guarda dos meus filhotes. As casas são paredes de cimento e tijolo, que se constroem em qualquer altura. O valor dos meus filhos é imensurável. No meio de tudo isto, hoje vivo feliz, mesmo com todas as contrariedades. Ao contrário de quando tinha tudo ao meu dispor e faltava-me o mais importante na vida: o AMOR
Como tudo o que fiz desde o dia 18 de Agosto de 2000, dia em que soube que estava grávida pela primeira vez, primeiro pensei nos meus filhos e nas repercussões que teria para eles assistirem a tamanha guerra na própria casa (à data, mesmo separados ainda todos habitávamos a mesma morada).
Achei que todo o direito que eu tinha em entrar em casa não justificava tal sofrimento, e por isso optei por pedir aos meus pais para ocupar o primeiro andar da casa deles, onde eu já tinha vivido até construção da nova.
Passei a viver de favor numa casa que não é minha, tendo todos os meses a obrigação financeira de pagar uma casa onde não entro e onde vejo aprisionados os meus bens pessoais.
A vida às vezes é ingrata, mas quando se fecha uma porta abre-se sempre uma janela e normalmente muito mais soalheira. Muito ainda está por resolver, passado um ano. Continuo a ter de pagar uma casa que é usada pelo meu ex-marido inviabilizando-me financeiramente de arrendar ou adquirir outra casa, continuando a viver de favor. Felizmente a casa onde habito é dos meus pais, e tenho recebido todo o apoio da parte destes. Além disso, o mais importante para mim está resolvido: a guarda dos meus filhotes. As casas são paredes de cimento e tijolo, que se constroem em qualquer altura. O valor dos meus filhos é imensurável. No meio de tudo isto, hoje vivo feliz, mesmo com todas as contrariedades. Ao contrário de quando tinha tudo ao meu dispor e faltava-me o mais importante na vida: o AMOR
terça-feira, 3 de agosto de 2010
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Memórias
Mesmo não tendo frequentado o ensino pré-escolar, a minha infância foi repleta de pessoas diferentes. Algumas marcaram-me mais que outras, mas todas tiveram influencia no meu crescimento e formação como pessoa.
Desde que nasci que vivi num prédio de 3 pisos onde eu e o meu vizinho, mais velho 6 meses, éramos as únicas crianças.
Hoje lembrei-me da Eta e da São (era assim que eu lhes chamava) duas vizinhas do rés-do-chão. Eram duas senhoras já idosas irmãs, que viviam com a mãe e com o marido de uma delas. Da mãe, D. Sofia, lembro-me mal, apenas de uma senhora de preto de cabelo branco apanhado, sentada num sofá na sala ou numa senhorinha no quarto.
Sem filhos, estas senhoras dedicavam a dois afilhados toda a sua dedicação.
Como única criança menina do prédio recebia delas um carinho muito especial. Desde que me entendo por gente que me lembro de passar tardes inteiras com elas. A jogar crapô, a fazer pequenas coisas de costura com restos de tecido, a varrer a casa por brincadeira encontrando infinitas moedas de 1$00, que elas juntavam de propósito para espalharem pela casa apenas para que eu as pudesse encontrar convencida que era o Mundo que andava distraído e deixava cair por todo o lado (Mundo era o marido da Eta, era também assim que eu o chamava).
O Cherrie e o Bambi eram os gatos que acabaram por morrer de velhos e deram lugar ao Nino, um caniche preto.
Para além dos chás e dos jogos, de crapô e canasta, com estas senhoras adoráveis, também conversava com o Mundo. Um homem inteligente, que gostava de escrever na sua máquina as mais diversas histórias. Quando fiz 7 anos fui prendada com um poema da sua autoria, onde os elogios a mim não eram poupados (modéstia à parte eu era uma criança com um discurso muito desenvolvido).
Esta família, de hábitos requintados teve um papel muito importante na minha formação. A sua influência faz-se sentir ainda hoje de uma forma subtil, mas marcante, nas mais pequenas coisas.
Hoje lembrei-me em especial deles. Estarão sempre comigo nestas pequenas coisas onde deixaram a sua marca positiva. Obrigada Eta, São e Mundo. Nunca vos esquecerei.
Desde que nasci que vivi num prédio de 3 pisos onde eu e o meu vizinho, mais velho 6 meses, éramos as únicas crianças.
Hoje lembrei-me da Eta e da São (era assim que eu lhes chamava) duas vizinhas do rés-do-chão. Eram duas senhoras já idosas irmãs, que viviam com a mãe e com o marido de uma delas. Da mãe, D. Sofia, lembro-me mal, apenas de uma senhora de preto de cabelo branco apanhado, sentada num sofá na sala ou numa senhorinha no quarto.
Sem filhos, estas senhoras dedicavam a dois afilhados toda a sua dedicação.
Como única criança menina do prédio recebia delas um carinho muito especial. Desde que me entendo por gente que me lembro de passar tardes inteiras com elas. A jogar crapô, a fazer pequenas coisas de costura com restos de tecido, a varrer a casa por brincadeira encontrando infinitas moedas de 1$00, que elas juntavam de propósito para espalharem pela casa apenas para que eu as pudesse encontrar convencida que era o Mundo que andava distraído e deixava cair por todo o lado (Mundo era o marido da Eta, era também assim que eu o chamava).
O Cherrie e o Bambi eram os gatos que acabaram por morrer de velhos e deram lugar ao Nino, um caniche preto.
Para além dos chás e dos jogos, de crapô e canasta, com estas senhoras adoráveis, também conversava com o Mundo. Um homem inteligente, que gostava de escrever na sua máquina as mais diversas histórias. Quando fiz 7 anos fui prendada com um poema da sua autoria, onde os elogios a mim não eram poupados (modéstia à parte eu era uma criança com um discurso muito desenvolvido).
Esta família, de hábitos requintados teve um papel muito importante na minha formação. A sua influência faz-se sentir ainda hoje de uma forma subtil, mas marcante, nas mais pequenas coisas.
Hoje lembrei-me em especial deles. Estarão sempre comigo nestas pequenas coisas onde deixaram a sua marca positiva. Obrigada Eta, São e Mundo. Nunca vos esquecerei.
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